Este meu arazoado vem a propósito de uma interessante declaração do Director do Jornal Desafio, Almiro Santos, segundo a qual “a estrutura antropológica do moçambicano está configurada para deixar tudo para o fim”, na esteira de um debate televisivo realizado por um dos canais de televisão nacional, no passado dia 30 de Junho deste ano.
O mote para o debate era o actual estágio da selecção nacional de futebol, terminada a primeira volta da campanha combinada de qualificação para o CAN e Mundial de futebol de 2010, duas provas que vão decorrer tão próximo de nós, em Angola - devido a proximidade linguística e na África do Sul - um país geográfica e umbilicalmente próximo.
Eis que volvidas três jornadas desta campanha, eis que, contra todas as expectativas, Moçambique vê as suas aspirações seriamente comprometidas. O Mundial da África do Sul, esse praticamente já é uma miragem e, o CAN’2010 ainda é um sonho possível, – Sigmund Freud, define sonhos, como “desejos repimidos”. Oxalá que consigamos almejar um desses desejos nossos.
Apesar da enorme convicção dos moçambicanos, uma eventual derrota dos Mambas no próximo dia 6 de Setembro frente aos quenianos, nossos adversários directos por uma vaga, no “Africano” de Angola, deita tudo a perder.
Nas contas dos mais optimistas o calendário é favorável para a “equipa de todos nós” que vai fazer dois jogos no seu burgo, o segundo ante a Tunísia, a 14 de Novembro. Antes teremos uma deslocação difícil à Nigéria, uma séria candidata a chegar ao Mundial a par dos Leões do Cartago. Por outro lado, o Quénia terá duas deslocações complicadíssimas para Maputo e Tunis.
No arranque desta campanha colocamos a fasquia bem alto, após o empate ante o todo-poderoso Nigéria. Fomos a Tunis perder e, para o desalento de todos, baqueamos no Quénia, se calhar por termos subestimado o adversário, pois tomámo-lo como pêra-doce, um pecado mortal.
Mas também em Nairobi sentimos a falta e a forte dependência de alguns bahitues da selecção Kampango, Mano e Miro. Imaginem no dia que jogarmos sem o “puto-maravilha”, Dominguez, por um motivo qualquer. Oxalá que isso não nos aconteça nunca! É imperioso que o seleccionador nacional Mart Nooij encontre alternativas a esses jogadores.
Voltando para a “estrutura antropológica do moçambicano deixar tudo para o fim”, muita gente acredita que à semelhança do que acontecera na segunda fase desta campanha, também podemos voltar a cometer a mesma proeza, e à última hora conseguirmos o tão desejado apuramento. Na ocasião anterior foi sofrível demais esperar pela matemática, numa conjugação de números que parecia impossível. Meus senhores, depender do acaso é delicado e às vezes não dá certo.
Ora, porque eu “penso e logo existo”, sou de opinião que a equipa técnica encontre alternativas dentro do nosso Moçambola, que começa a ser um campeonato cada vez mais competitivo e a produzir estrelas capazes de cintilar em qualquer Galáxia.
Sou compelido a concordar com opiniões segundo as quais Mart, ou “tem medo de perder para não depreciar o seu valor no mercado ou possui uma agenda oculta”, pois pelo contrário não iria recusar jogos de controle para, por um lado, ensaiar novos jogadores e dotá-los de experiência internacional, e por outro experimentar outros esquemas tácticos.
A propósito da triste actuação do guarda-redes Marcelino em Nairobi, e dos resultados menos conseguidos da selecção, cresce a necessidade de se ter um psicólogo na equipa, mas Mart, uma vez mais se recusa. Acenado sobre a possibilidade de contar com um treinador para guarda-redes, a resposta é um monossilábico NÃO. Sem dúvidas que essas são decisões polémicas e discutíveis.
Apelo ao bom senso do seleccionador por forma a que não afaste o público e desvaneça a empatia que se têm da selecção nacional e de si, desde que chegou à Moçambique em Fevereiro de 2007, onde em jogos de qualificação para as duas últimas campanhas de quelificação para o CAN-2008 e CAN/Mundial’2010, ganhou quatro jogos, perdeu tantos outros e empatou cinco, três dos quais frente aos colossos Senegal, Costa do Marfim e Nigéria. Estas partidas saldaram em 13 golos marcados e 11 sofridos.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
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