Terminou em “divórcio o casamento” entre o Maxaquene e Artur Semedo. O “enlace matrimonial” durava desde 7 de Julho de 2007, quando substituiu a João Figueiredo, curiosamente vítima de maus resultados. Já tinha sido exactamente assim, com Chiquinho Conde, hoje ligado ao vizinho Desportivo de Maputo. Nesse ano, Artur Semedo conduziu os tricolores até a quarta posição do Moçambola, com 41 pontos.
As duas partes chegaram a entendimento, esta segunda-feira, 30 de Junho, tendo o contrato sido rescindido “amigavelmente”.
Apontam-se como razões para o afastamento do técnico, “a falta de resultados e um ambiente que retira a tranquilidade necessária para a equipa continuar a desenvolver o seu trabalho sem constrangimentos”.
Rafindine Mahomed diz mesmo que manutenção do técnico “já se mostrava problemática”, dai a mudança. “Quando os resultados não aparecem o principal responsável é o treinador, apesar de não haver provas de que a mudança possa trazer melhorias”, vinca o presidente do Maxaquene.
Para além de Artur Semedo saem também os adjuntos Ramalho Archer, Sataca Mussagy e, em solidariedade à equipa técnica, Rogério Mariani, director executivo dos maxacas.
Artur Semedo que já foi campeão nacional pelo Ferroviário de Maputo, sempre foi contestado por parte de alguma massa associativa do Maxaquene, sobretudo por ter prescindido de jogadores como Whisky, Fanuel, Lamá e Tony. A despeito disso foi buscar alguns jogadores ligados aos locomotivas da capital do país, nomeadamente, o guarda-redes Nelinho, os defesas Tuno, Kito e Fred, para além de Ramalho Archer para seu adjunto.
Para substituir Semedo a direcção do Maxaquene decidiu indicar o italiano Enrico Bozzano, que estava ligado à equipa júnior. Bozzano já foi quadro da Federação Italiana de Futebol, tendo trabalhado com o conhecido técnico da Squadra Azzura, Arrigo Sacchi.
O novo timoneiro dos tricolores será coadjuvado nas suas funções pelos técnicos Manuel Valói, o único sobrevivente da equipa de Semedo e Arlindo Nhancale, antigo jogador do Matchedje e Estrela Vermelha, ambos da capital mocambicana. Os novos treinadores iniciam com o trabalho, esta terça-feira, visando colocar a equipa nos primeiros quatro lugares, tal como fez questão de vincar o próprio Bozzano. “Não trago nenhuma varinha mágica, mas acredito no grupo de trabalho, que vou herdar. O Maxaquene é um grande clube, sei disso porque já venho acompanhando a equipa há cerca de seis meses, quando cá cheguei”, afirmou Bozzano, visivelmente empolgado com a sua nova missão. Mais adiante, o italiano reconhece ter pela frente “uma grande equipa” mas, “os oito golos marcados são muito poucos para uma equipa desta natureza”, disse o treinador, nas suas primeiras palavras à imprensa.
A única coisa que Bozzano promete é mesmo trabalho: “semanalmente vou tirando algumas ilações e o resultado disso virá à superfície, no próximo sábado quando defrontarmos o Estrela Vermelha de Maputo. A seguir teremos pela frente uma grande equipa e que está a fazer um grande campeonato, o Ferroviário de Nampula. A única coisa que vos prometo é trabalho. Semedo deixou um grande equipa, onde primeiro terei que fazer um grande trabalho psicológico para recuperar a estima dos jogadores”- concluiu o Enrico Bozzano.
À passagem da décima jornada, já vão em duas as chicotadas psicológicas no Moçambola. Antero Cambaco do Desportivo foi o primeiro a sucumbir aos maus resultados. Artur Semedo deixa o Maxaquene na nona posição do Moçambola, com onze pontos, resultantes de duas vitórias, ante o Benfica de Macúti (3-2) e Ferroviário de Pemba (3-1), cinco empates e três derrotas, a última das quais ante o Ferroviário da Beira, no sábado, por uma bola sem resposta. O Maxaquene foi igualmente afastado da Taça de Moçambique pelo Estrela Vermelha de Maputo.
Semedo já treinou o Matchedje, o Desportivo, o Ferroviário, ambos de Maputo e ainda a selecção nacional.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
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