segunda-feira, 7 de julho de 2008

MENDES TRAMA SEMEDO


Uma vez mais, o Ferroviário da Beira veio a Maputo diante de um outro colosso do futebol doméstico, arrancar os três pontos em disputa. Desta vez a pressa foi o Maxaquene, depois de o ter feito diante do seu homónimo de Maputo, à passagem da oitava jornada. Os locomotivas do Chiveve, vem protagonizando uma recuperação a todos os capítulos extraordinário, depois de um início de prova titubeante. De recordar que a última vez que o Ferroviário da Beira perdeu foi ante o Costa do Sol, no decurso da terceira jornada. De lá a esta parte, os pupilos de Akil Marcelino vem intercalando empates e vitórias, num percurso digno de realce.


Este resultado poderá ter comprometido o futuro de Artur Semedo no comando técnico do Maxaquene. A onda de contestacão cresce a olhos vistos, desde o afastamento dos tricolores da Taca de Mocambique pelo Estrela Vermelha de Maputo, por 3-1, resultado conseguido após a marcacao de grandes penalidades. No tempo regulamentar as duas equipas empataram sem golos, com os pupilos de Semedo a se mostrarem bastante perdulários

No último sábado, o Ferroviário da Beira jogou com muita astúcia, perante um Maxaquene bastante perdulário. Akil Marcelino vinha com a lição bem estudada, entregando praticamente a iniciativa do jogo aos donos da casa, dai que durante toda a primeira parte, os tricolores foram, donos e senhores do jogo, não marcando, por um lado devido à ingenuidade dos seus avançados, que no momento da verdade, optavam por fazer o mais difícil, e por outro lado devido a boa colocação entre os postes do guarda-redes Gervásio. Eis algumas situações que nos ficaram na retina:
Jogava-se o minuto 15 da partida, Kito I solicita os atacantes Liberty e Steven, num cruzamento bem tirado. Os dois homens do ataque tricolor desentendem-se, permitindo uma defesa de recurso a Gervásio, após um cabeceamento de Steven. Volvidos quatro minutos, o mesmo Steven consegue ganhar uma bola ao adversário, cruzando-a de seguida para a cabeça de Jumisse, que com muita intensidade cabeceia o esférico para fora do “alvo”.

O Ferroviário sentia o sufoco do seu adversário e a resposta encontrada por Akil Marcelino era o contra-ataque, que não chegou a surtir efeito nenhum. Momentaneamente, o banco técnico do Ferroviário viu a sua “jóia”, Mendes, lesionar-se, após um choque com o adversário. O tratamento levaria cerca de cinco minutos, mas para a felicidade dos locomotivas, o avançado recompor-se-ia, dando de seguida o seu precioso contributo à sua equipa. Aos 39 minutos da contenda, nova investida do Maxaquene, com Liberty a proporcionar uma defesa para fotografia a Gervásio. O lance começa num livre indirecto muito bem executado por Fred. Gorava-se mais uma situação de golo dos tricolores. As duas equipas recolheriam ao intervalo, sem que o “marcador atasse nem desatasse”.

Apesar do necessário “puxão de orelhas” aos jogadores, a segunda parte começa muito morna, com as duas equipas a não quererem arriscar, preferido o empate a derrota. Jogando em casa, o público exigia um pouco mais do Maxaquene, que procurou “puxar dos seus galões” de anfitrião, porém sem surtir nenhum efeito. Este maneira de estar das equipas em campo obrigou os dois técnicos a mexer com o seus “xadrezes”, tendo Semedo tomado a iniciativa de refrescar a sua frente de ataque, trocando os avançados Liberty e Steven por Eurico e Jordão, respectivamente.

Só aos 70 minutos é que o Maxaquene volta a criar sensação de golo, através de Eurico, aproveitando-se de uma falta clamorosa do capitão Ninito, na boca da grande área de Gervásio. Valeu a pronta intervenção de um colega a fazer a emenda para canto, perante a apatia do avançado contrário. Ninito agradeceu a todos os seus deuses.

Aos 75 minutos viria mesmo o golo do Ferroviário da Beira. Campira tem uma daquelas falhas imperdoáveis, com a bola a passar-lhe por baixo do pé. Nas suas costas estava o artilheiro Mendes, que não perdoou tamanha oferta, tendo fuzilando, de seguida, Nelinho, com um portentoso remate saído do seu pé esquerdo. Nelinho, não pôde fazer nada. Com o golo cresciam as preocupações no banco técnico do Maxaquene. Se já era difícil marcar antes, com o golo do Ferroviário, ficou mais complicado. Tudo era feito com o coração que propriamente com a cabeça no lugar. Só que numa dessas ocasiões, por pouco Campira se redimia de tamanho pecado, mas o seu cabeceamento não segue o rumo certo, já dentro da grande área de Gervásio, corria o minuto 78.
Para não correr riscos, Akil abdica de um médio, Gato, e no seu lugar lança o defesa Cândido, com missões explícitas, defender o resultado com unhas e dentes.

Aos 91, o Maxaquene até podia ter chegado ao empate, que nessa altura era procurada desenfreadamente, mas eis que o central Kito eleva-se mais que os restantes colegas, cabeceando o esférico para fora. Suspiro de alívio para os locomotivas. Com esta vã tentativa, o Maxaquene resignara-se e estava ditada a sentença do jogo, por Mendes, num remate praticamente indefensável para Nelinho, abrindo um bom ciclo de resultados em Maputo, com os chamados grandes do nosso futebol. Na próxima jornada, que se cuide o Desportivo de Chiquinho Conde.

Filimão Filipe, o árbitro do jogo, não fez uma grande arbitragem, porém, não influenciou no resultado do desafio.

Ficha técnica:

Maxaquene, 0 - Ferroviário da Beira, 1
Campo do Maxaquene, cerca de 500 pessoas

Maxaquene: Nelinho (1), Campira (1), Kito II (2), Narciso (1), Fred (1), Kito I (2), Macamito (2), Jumisse (1), Michael (2), Liberty (1) e Steven (2).

Jogaram ainda Nelsinho (1), Eurico (1) e Jordão (1), para os lugares de Jumisse, Liberty e Steven, respectivamente.

Ferroviário da Beira: Gervásio (3), Ninito (2), Casimiro (2), Burra (2), Edson (2), Henriques (2), Carlos (1), Timbe (1), Óscar (1), Mendes (4) e Gato (1).

Jogaram também: Roberto e Cândido, para os lugares de Mendes e Gato, respectivamente.

Arbitragem: Filimão Filipe (2), Francisco Machel e Arsénio Marrengula. Quarto árbitro: Amosse Lázaro.

Disciplina: Amarelos para Campira (Maxaquene); Gervásio, Carlos e Gato (Ferroviário da Beira)
Cabines:

“Foi uma mentira”

- Artur Semedo

Desolado, Artur Semedo considera de injusta a derrota da sua equipa, sábado, no seu burgo. Um empate já era mau resultado, mas acabámos perdendo num lance inglório do nosso jogador (Campira), perante um adversário que em nada nos incomodou. Fizemos tudo ao longo dos noventa minutos, mas infelizmente o futebol é uma mentira. Hoje foi uma autêntica mentira e acabamos perdendo uma partida em que poderíamos ter ganho por uma diferença considerável - começou por dizer Semedo para depois “atacar” a massa associativa tricolor “ os jogadores fazem tudo para ganhar os jogos. Só queria pedir a algumas pessoas que nos deixem trabalhar. Isto já começa a ser vergonhoso. O Maxaquene, há uns anos a esta parte, já anda sempre nisto. As pessoas que libertem o Maxaquene para jogar. Deixem-nos trabalhar, os jogadores que estão aqui são todos profissionais, concluiu Semedo, visivelmente perturbado.

“Lição bem estudada”

- Akil Marcelino

Para Akil Marcelino esta é a vitória da paciência, pois tudo vinha muito bem estudado. “O Ferroviário da Beira veio com a lição bem estudada para não perder o jogo e sem três jogadores titulares, nomeadamente, Nené, Eládio e Tony, mas fizemos um jogo que nos agradou, com paciência. Em situações de contra-ataque conseguimos ganhar o jogo justamente e com um golo de belíssimo efeito, disse Marcelino.

Num outro desenvolvimento, o jovem técnico locomotiva, fala de eventuais problemas no seu novo clube: “Penso que o Ferroviário já mostrou muita qualidade fora de casa, embora tenhamos problemas nos jogos em casa. Temos conseguido fazer jogos com muita qualidade fora de casa. Sou novo no clube e não sei muito bem o que se passa, remata Akil, para depois acrescentar que “vamos trabalhar ainda mais para alcançar os objectivos que traçamos.”

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