O novo técnico do Maxaquene, o italiano Enrico Bozzano, quis dar um ar italiano ao seu novo clube. É assim que na tarde do último sábado, no Estádio 1º de Maio Standard Bank, a contar para a décima primeira jornada do Moçambola-2008, vimos um Maxaquene diferente do habitual. Logo à prior, saltavam à vista, algumas alterações no xadrez tricolor: a chamada do guarda-redes Dionísio, dos centro-campistas, Saprine e Nelsinho, “sacrificando-se” os jogadores Nelinho (guarda-redes), Michel e Steven, habituais nas equipas do antecessor de Bozzano. Para condizer com esta esta nova colocação de pedras tricolores, um esquema táctico também diferente: 4 – 2- 3 -1, com Jumisse a ponta-de-lança.
Lançados os dados, reinava a expectativa nas bancadas sobre como é que este novo Maxaquene bater-se-ia. Do outro lado estava um Estrela Vermelha faminto de resultados, daí ter investido bastante para perturbar psicologicamente os jogadores contrários.
Os primeiros quinze minutos do jogo foram de um futebol incaracterísticos, sem qualquer jogada digna de realce. Aos poucos, o Maxaquene ia assumindo a sua grandeza e responsabilidades no jogo e como corolário disso, a primeira situação de perigo acontece aos 21 minutos, através de Kito I, numa jogada algo atabalhoada, que começa com uma belíssima intenção do zimbabweano Liberty, a puxar “todo o mundo” para a área contrária, com aquelas suas fintinhas estonteantes. Valeu a pronta intervenção de Neco, que teve que se arrojar aos pés de Jumisse, antes do remate sem nexo de Kito I.
Aos 32 minutos, nova investida ofensiva do Maxaquene, desta vez tendo como protagonistas, Jumisse e Neco. O guarda-redes dos alaranjados acabou saindo-se bem na jogada, com uma defesa incompleta mal aproveitada por Campira. Tudo começa num pontapé de canto, mal interceptado por Jumisse, quando tinha tudo para “facturar”, pois a bola é metida para o primeiro poste, faltando apenas o desvio vitorioso do avançado.
O Maxaquene continuava a “espalhar o perfume” de um bom futebol, lembrando a espaços, o jogo privilegiado por Artur Semedo, com o esférico a circular rente à relva e de pé para pé, pecando apenas no capítulo de concretização. Vale a pena destacar a boa leitura feita pela defensiva do Estrela Vermelha que tinha à cabeça, o “racha-lenha” Mabjaia.
Aos 40 minutos, nova sensação de golo. Há um livre directo, a direita do ataque do Maxaquene, e para cobrá-lo é chamado o pé canhoto Fred. O lateral executa o lance com todo o esmero possível, só que a inspiração de Neco, uma vez mais volta a negar o golo, com uma “sapatada” para canto. Era sem dúvidas a defesa da tarde.
O Estrela Vermelha, como é óbvio nessas circunstâncias, apostava no contra-ataque, com o avançado Binó a ser completamente anulado pelo possante central Narciso.
A segunda parte começa algo insípida. E com o correr do tempo, o jogo ia decaindo mesmo de qualidade. Valeu o jogo do banco. A partir da bancada, Bozzano ia instruindo o seu adjunto, Arlindo Nhancale, a operar algumas alterações: entradas de Maló, Matlhombe e Eurico, para os lugares de Saprine, Nelsinho e Jumisse, respectivamente. De frisar que o novo timoneiro do Maxaquene teve que ver o jogo da bancada, pois ainda não reúne a devida documentação requerida pela Liga Moçambicana de Futebol. Espera-se que nos próximos dias a Federação Italiana de Futebol envie ao país, a respectiva documentação.
Do lado contrário Zainadine Mulungo sentia a necessidade de refrescar a sua equipa fazendo entrar os jogadores Sadique, Pondja e Animal, para os lugares de Joca, Binó e Jordão, respectivamente e o jogo voltou a ganhar alguma emotividade. Nesse lapso de tempo, Matlhombe cruza com conta, peso e medida para o coração da área alaranjada, onde aparece, sozinho, atacante Eurico. Na hora de dar o “bote” , o avançado escorrega. Jogava-se o minuto 80.
O golo do Maxaquene só seria assinado “ao cair do pano” - imagine só, minuto 90 - com o irreverente Kito I, no centro das atenções. O lance começa num contra-ataque rápido dos tricolores e o jogador, num momento verdadeiramente de inspiração, desfere um golpe forte no esférico, parando apenas no fundo das malhas de Neco, que até se esticou, só que sem sucesso. Um daqueles golos de levantar qualquer estádio de futebol! Explosão de alegria no banco tricolor, assim como na tribuna de honra, onde estava todo o staff tricolor. O Maxaquene vinga-se assim do afastamento precoce da Taça de Moçambique por esta mesma equipa que, pelo terceiro jogo consecutivo, volta a sofrer golos no último minuto da contenda. Já tinha sido assim contra o Textáfrica de Chimoio e Ferroviário de Maputo, curiosamente, através da marcação de grandes penalidades.
A actuação do árbitro José Maria Rachid não sofre qualquer tipo de mácula, não tendo, por isso contribuído no resultado final do jogo.
FICHA TÉCNICA
Estrela Vermelha: Neco (3), Alex (2), Mabjaia (2), Pedrito (1), Abel (1), Aleluia (2), Joca (2), Gitinho (2), Paunde (2), Binó (1), Jordão (1)
Jogaram ainda: Sadique (1), Pondja (1) e Animal (1), para os lugares de Joca, Binó e Jordão.
Maxaquene: Dionísio (1), Campira (3), Fred (2), Kito II (2), Narciso (2), Saprine (2), Nelsinho (2), Macamito (2), Kito I (3), Liberty (3) e Jumisse (1).
Jogaram ainda: Maló (1), Matlhombe (1) e Eurico (1), para os lugares de Saprine, Nelsinho e Jumisse, respectivamente.
Arbitragem: José Maria Rachid (2), 1 º Assistente: Joaquim Merinho, 2º assistente: Carlos Nhanengue. 4º Árbitro: Ainad Ussene
Acção disciplinar: amarelo para Narciso (Maxaquene)