Rescaldo do Campeonato Nacional de Futebol – Moçambola´2007
Da superamacia canarinha às chicotadas psicológicas
O Moçambola –2007 ficou para a história, mas pelos seus feitos ficará indelevelmente gravado na memória de muitos desportistas, com particular incidência para os treinadores, considerados os “maus da fita”. Continuam ainda na retina de todos, aquelas chicotadas psicológicas massivas. Até a oitava jornada oito treinadores já tinham sido despedidos, alegadamente por maus resultados. Estes números sem paralelo cá entre nós, segundo a crítica desportiva, revelam a pobreza do futebol moçambicano e indiciam que alguma coisa não corre bem no dirigismo desportivo.
Ainda na retrospectiva do Moçambola-2007, destaque vai o Costa do Sol, Campeão Nacional com todo o mérito e para o Ferroviário de Maputo, catalogado como o campeão dos empates, ao consentir no total dezasseis. Como resultado da desastrosa prestação dos locomotivas está o sétimo lugar na pauta classificativa, o pior dosa últimos anos para o conjunto verde e branco, que a quatro jornadas do fim da prova continuava em apuros. Por outro lado, o Têxtil de Púngue, representante do país na Taça da Confederação acabou desiludindo a tudo e todos ao não conseguir a manutenção na prova máxima do futebol nacional. Primeiro deixou partir algumas das suas melhores “pérolas”, casos de Matofe, Mafafa, Missica entre outros, para mais tarde, volvidas duas jornadas, mandar para o desemprego o seu treinador, Afonso Sithole.
Justo campeão
O Costa do Sol foi, incontestavelmente, a melhor equipa do Moçambola-2007. Os números são elucidativos: em 26 jornadas venceu por 16 ocasiões, empatou nove vezes, cinco dos quais já na recta final do certame e perdeu uma única vez, derrota consentida justamente ante o detentor da coroa de Campeão Nacional, o Desportivo de Maputo, por 0-2, no seu próprio burgo, a 1 de Julho, refreando os ânimos de uma equipa até então incólume no certame. No total os canarinhos marcaram 37 golos e sofreram 12, tornando-se na defesa mais bem comportada da prova. O Costa do Sol totalizou 57 pontos, deixando o vice-campeão Desportivo a nove de distância. Os canarinhos viram ainda ainda viu o seu atacante Tó sagrar-se no melhor marcador da prova ao apontar 16 golos. Aliás o “baixinho” viria a arrecadar um outro troféu, o de melhor jogador da Taça de Moçambique Mcel, conquista que lhe valeu uma viatura zero quilómetros.
A progressão canarinha é digna de realce. Os campeões nacionais “assaltaram” a liderança do Moçambola logo na sexta jornada, destronando o Estrela Vermelha que vinha realizando uma prova a todos os capítulos extraordinária. Verdade porém é que de lá até ao fim do certame os canarinhos não mais largaram a liderança. O melhor ascendente no voo do canário registou-se da décima jornada à décima oitava, quando somou vitórias consecutivas, cimentando o estatuto de líder e de sério candidato à conquista final. O período menos bom, motivado pela ansiedade, pois a qualquer momento podia se sagrar campeão nacional, registou-se da vigésima primeira à vigésima quarta jornada, com uma série consecutiva de empates. O resultado mais gordo conseguido pelo campeão registou-se à passagem da décima quarta jornada quando derrotou o Têxtil de Púnguè por 5-1.
A falta que Dominguez fez
Sem Dominguez e Carlitos desde a décima segunda jornada, o Desportivo não mais foi o mesmo, começou a baixar de rendimento e aí veio a crise de resultados que culminou com o afastamento de Uzaras Mahomed. No seu lugar foi chamado o jovem Antero Cambaco. É verdade que o Desportivo andou sempre na segunda posição, mas momentos houve em que teve mesmo que trocar de posição com o Ferroviário de Nampula, da 17 jornada à 19. Ainda no fim, quando se pensava que o Desportivo fosse fazer frente ao Costa do Sol, acabou mesmo vergando, quando em três ocassiões consentiu empates comprometedores, dando mais terreno ao seu mais directo rival, o Costa do Sol. Não obstante o estatuto de melhor ataque, 41 golos marcados, tendo à cabeça Maurício, os alvi-negros acabaram se quedando no segundo posto com 48 pontos.
Os ventos do norte
No norte do país duas equipas faziam furor, o Ferroviário de Nampula e o FC de Lichinga. Os locomotivas da chamada capital do norte terminaram a prova em terceiro lugar com 43 pontos e os pupilos de Sérgio Faife, na quinta, com 38 pontos.
Em Nampula Nacir Armando conseguir montar uma teia em que os grandes dificilmente saiam. No seu burgo só perdeu com o Costa do Sol, por 2-0 e chegou mesmo a bater o Maxaquene pelos mesmos números. Das cinco derrotas consentidas a mais dolorosa foi face ao Desportivo de Maputo por 4-0, à passagem da vigésima primeira jornada, a 13 de Outubro de 2007, no campo do Atlético Muçulmano. A menos esperada aconteceu frente ao já aflito Têxtil de Púnguè, por 1-0, em plena vigésima quarta jornada, o que contribuiu para perda definitiva do segundo posto a favor do Desportivo de Maputo. Este foi o período mais conturbado dos rapazes orientados por Nacir Armando.
O Estádio 1 de Maio era o outro “calvário” dos grandes. Esta formação começou por atravessar um período menos bom, o que terá contribuído para o afastamento do técnico zambiano, Ronald Chenko, quando corria a oitava jornada da prova. Duas derrotas consecutivas ante o Ferroviário de Nampula (2-0) e Estrela Vermelha (2-0), depois de uma série de empates precipataram o desenlance entre as partes. Aproveitando um interregno observado na altura, a Direcção do FC Lichinga contratou dois homens carismáticos: Sérgio Faife e Euroflin da Graça para resgatar a imagem do gigante do Niassa. A resposta não tardou a aparecer, Faife, assessorado por Flin, foi construindo uma equipa temível, acabando mesmo por garantir a manutenção sem sobressaltos. A “descolagem” da equipa começou na nona jornada com uma vitória frente aos “fabris da Manga” por 1-0. O “voo” dos homens de Lichinga só foi interrompido na vigésima primeira jornada por uma série de um empate e duas derrotas consecutivas. Dos 295 golos marcados em toda a prova, o FC de Lichinga contribuiu com 26, tendo sofrido 25.
Exorcizar fantasmas só no fim
O Ferroviário de Maputo só consguiu espantar o fantasma dos maus resultados no fim do Moçambola-2007 e contra todas as previsões chegou a golear o Desportivo de Maputo por 5-2, na derradeira ronda do certame. As últimas jornadas foram frutíferas para a equipa de Mussá Osman, que antes desse período de graça tinha as calças na mão, sob o risco de ser despromovido. Para provar a excelente ponta final, ganhou as últimas quatro partidas.
Artur Semedo foi à rua devido a uma série de empates, situação que veio a prevalecer na era do seu sucessor. No total os locomotivas somaram 16 empates. Com algumas das suas cartas fora do baralho, casos de Kito, Rodrigo e Simão, que se transferiu para a Grécia, o Ferroviário de Maputo vivia da generosidade de Danito Parruque, um dos poucos que remava contra a maré. O ataque locomotiva, muitas vezes órfão de Chana, mostrava-se bastante perdulário. Foi das equipas que menos golos marcou, apenas vinte, numa prova de vinte e seis jornadas.
A “Guerra” no meio da tabela
No meio da pauta classificativa degladeavam-se equipas como o Maxaquene, Estrela Vermelha, FC de Lichinga e Ferroviário da Beira. Destes, o Estrela Vermelha mereceu grande destaque quando nas primeiras jornadas conseguiu manter-se no topo. Garantida a manutenção os alaranjados limitaram-se a fazer “o seu campeonato”. Do Maxaquene pouco ou nada se pode dizer, pois muito cedo virou a cara à luta, renunciando o seu estatuto de tradicional candidato ao título. Foi das equipas que trocou de treinador, João Figueiredo teve que ceder a sua vaga a Artur Semedo, que apenas conseguiu colocar a equipa no modesto quarto lugar, separando-se do campeão por dezasseis pontos.
Por seu turno o Ferroviário da Beira, à semelhança das equipas do “Chiveve” passou por maus momentos. Figurava entre as equipas aflitas do campeonato e a sua manutenção só foi garantida quase ao “cair do pano”.
Parentes pobres
Devido a sua pálida prestação no Moçambola tiveram que trocar de divisão, o Benfica de Quelimane, Têxtil de Púngue e Académica. Os fabris da Manga são os que mais desiludiram ao não conseguirem dar sequência a uma excelente época anterior. De representante de Moçambique nas Afrotaças, o Têxtil passou a uma equipa vulgar, ao perder muitos dos seus melhores jogadores. Foi a primeira formação a afastar o seu treinador, Afonso Sithole, logo na segunda jornada. Apesar do seu fraco desempenho os fabris viram dois dos seus jogadores se destacarem: Soarito, o jogador mais valioso da prova e Nando, terceiro classificado.
O Benfica de Quelimane era simplesmente “o bombo da festa”. Apesar de ter trocado de treinador por duas vezes – primeiro José ugusto e depois Rogério Marianni, os encarnados não fugiram da última posição.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário