terça-feira, 18 de novembro de 2008

Roubalheira que qualificou os "Mambas"


O jogo mais badalado da segunda fase de apuramento para o CAN e Mundial de 2010, terá sido sem sombras para dúvidas, o Madagáscar/Moçambique, em Antananarivo, com arbitragem sul-africana. O tal em que uma grande penalidade "fantasma" foi-nos assinalada ao cair do pano, "entornando desta feita o caldo". Mesmo sem convencer, os pupilos de Mart Nooij, conservavam uma magra vaantagem de 1-0, no jogo, com golo de Dário Monteiro, amado por uns e odeiado por outros.

No final do jogo, os moçambicanos perderam a cabeça, e não havia adjectivos para qualificar aquele juiz sul-africano, conotado até com os inesquecíveis actos de xenofobia que se abateram, sem explicação nenhuma, sobre dois povos com relações seculares, a todos os níveis. Porém, aquele empate em Antananarivo acabou sendo a "bóia de salvação" dos Mambas, explico porque:

- Com a desqualificação do Tchad das eliminatórias, devido à ingêrencias do governo daquele país, na Federação, a CAF passou a adoptar um novo critério de qualificação, passando a apurar para a outra fase todos os primeiros classificados dos doze grupos constituídos e os oito segundos melhores classificados, deixando ainda de contar os pontos e os golos conseguidos à custa do último classificado. Depois do descalabro dos Mambas em pleno Estádio da Machava, diante do Botswana, havia necessidade de recorrer-se a "indispensável calculadora". Mas, de jornada a jornada, o grupo VII, Deus parecia ser moçambicana, pois o grupo VII, o tal dos Mambas, mostrava-se atípico, com os out-siders malgaxes a surpreenderem a tudo e todos.

- Ora, se o Madagáscar tivesse perdido com Moçambique, seria o último lugar do Grupo, o que quer dizer que os Mambas perderiam seis preciosos pontos, somados a mais um ganho diante dos Elefantes, que no final acabaram fazendo a diferença. Asssim, Moçambique ficaria com cinco pontinhos, insuficientes para ir à "liguilha" com o Uganda, que levou desvantagem no goal-average. Com o Botswana em último lugar, só se foram os três pontos perdidos com as Zebras, no tal jogo de má memória na Machava para Mart Noiij, que acabou vendo até onde ia a ira dos moçambicanos, quando beliscados no seu orgulho.

Agora estamos num grupo, para não variar, difícil, e há que tomar em conta o Kenya, pois parece acessível, se tomarmos em consideração os outros colossos, Nigéria e Tunísia, habitués nas provas continentais inter-selecções e inter-clubes.

Acima de tudo há que aprender com os erros do passado e não temer as "estrelas" nigerianas e tantas outras que escalarão a Machava nesta derradeira fase rumo ao Mundial. Uma lição fica, não fosse a nossa humildade, teríamos vexado a Costa do Marfim, que vinha na sua máxima força, com a excepção do fogoso e profícuo atacante do Chelsea, Didier Drogba. Foi assim também com o Senegal de El Hadji Diouf.

EU ACREDITO!

terça-feira, 22 de julho de 2008

CHIQUINHO CONDE NOVO TREINADOR DO DESPORTIVO



O antigo capitão da Selecção Nacional de Futebol, os Mambas, Francisco Queirol Conde Júnior, mais conhecido por Chiquinho Conde, é o novo treinador da equipa principal de futebol do Grupo Desportivo de Maputo, em substituição de Antero Cambaco que, na noite do último domingo colocou seu lugar à disposição depois da derrota diante do Ferroviário de Maputo, por 2-0, em jogo da quinta jornada do Moçambola-2008.
O anúncio de Chiquinho Conde como novo treinador do Desportivo de Maputo foi anunciado esta manhã (30 de Abril) em Conferência de Imprensa por Óscar Paul, vice-presidente do clube para a área do marketing.
De acordo com Óscar Paul, a escolha de Chiquinho Conde para novo treinador dos alvi-negros não foi tarefa fácil e a mesma só foi possível depois de terem sido equacionadas muitos aspectos, tendo-se chegado à conclusão de que o ex-capitão dos Mambas era a pessoa ideal para o efeito.
“Depois de analise de diferentes currículos, escolhemos o treinador Francisco Queirol Conde Júnior, para assumir o lugar de treinador principal do GDM, tendo o acordo sido fechado, na noite de ontem, 3ª feira, 29 de Abril, em Lisboa (Portugal), pelo vice presidente para as modalidades, Dr. António Grispos.
O que pesou na escolha dele foi a capacidade de liderança, o nível de formação (4º nível) e a crença de que irá ajudar-nos a dar a volta aos maus resultados” - disse Óscar Paul para quem o acordo é bom para os dois lados, ou seja, para o clube e o treinador.
Refira-se que o acordo é válido por 19 meses e Chiquinho Conde chega a Maputo, ido de Lisboa, na próxima sexta-feira, dia 2 de Maio, e começará a trabalhar imediatamente com a equipa.
O novo treinador manifestou interesse em trabalhar com a actual equipa técnica, até então liderada por Antero Cambaco.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Jogo atípico


Maxaquene, 0 – Ferroviário de Nampula, 0

Maxaquene e Ferroviário de Maputo apresentaram-se em campo prontos para brindar os cerca de dois espectadores que acorreram ao campo dos tricolores, debalde. O embate contava para a décima segunda jornada do Moçambola-2008. O jogo não teve muitos motivos de interesse, tudo por culpa dos intervenientes. O Ferroviário de Nampula a jogar para não perder e o Maxaquene bastante tímido. Resultado, a primeira vintena de minutos foi mesmo para esquecer. Só aos vinte e cinco minutos é que vimos a primeira situação digna de relevo, quando Liberty, experimenta a potência do seu remate, cujo resultado não surtiu grandes efeitos. Era a segunda vez que o zimbabweano rematava para a baliza do tranquilo guarda-redes Mohamed.Nos minutos que se seguiram o jogo foi seguindo a mesma toada, até que aos 32 minutos, o internacional malawiano, Limbani, cai desamparado no relvado, acometido por uma doença denominada epilepsia. Durante alguns minutos o jogador ficou a contorcer-se com dores, acabando por ser transportado, de emergência, para o Hospital Central de Maputo, para os respectivos cuidados médicos. Relatos que nos chegam de Nampula dão conta de que esta é a segunda vez que o jogador sofre tal crise, em pleno jogo de futebol, o que pode ser fatal. O estádio ficou gelado, e alguns jogadores até levaram as mãos à cabeça, temendo o pior. Para colmatar a saída do experiente e talentoso malawiano, Nacir Armando lançou para o jogo o extremo Nando, que com algum custo acabou engrenando no jogo, isto só na segunda metade da contenda. O Ferroviário de Nampula apostava em contra-ataques rápidos e venenosos. E numa dessas situações, Hélder Pelembe, leva consigo toda a linha ofensiva da sua equipa, num daqueles ataques em bloco da sua equipa, com o esférico a esbarrar numa floresta de pernas da defensiva tricolor, comandada pelo central Narciso, que vai crescendo a olhos vistos. Os pupilos de Nacir Armando mostravam-se muito perigosos neste tipo de jogadas, sua arma principal em jogos feitos fora do seu burgo. Aliás Nacir privilegia a defesa à zona, para em lances de contra-ataque, surpreender os seus adversários. E porque o jogo decorria a passo de camaleão, com jogadas denunciadas e passes transviados, só aos 41 minutos, Eurico volta a aquecer os espectadores sentados nas frias bancadas do campo do Maxaquene. O avançado tricolor, com tudo para fazer o golo, sozinho na área de rigor, faz o mais difícil rematando frouxo e sem perigo para os forasteiros, no melhor lance da primeira parte. Quanta displicência do atacante tricolor! O intervalo viria logo a seguir e o descanso para os atletas refrescarem-se e os treinadores traçarem novas estratégia, pois já se impunha. A segunda parte começa com o Ferroviário de Nampula algo crescido que o seu adversário, mas sem que chegasse a assustar, ou a criar calafrios aos defesas contrários. Nesse período de ascendência locomotiva, registo para o remate de Nando que, mal medido, sai rente ao poste esquerdo de Dionísio, com o esférico a bater mesmo a rede, dando sensação de golo. Aos 60 minutos, o mesmo jogador volta a estar no centro das atenções, com um cabeceamento que vai até ao poste direito de Dionísio, com o árbitro Justino Faduco a sancionar, erradamente, um pontapé de canto para os locomotivas. A resposta do Maxaquene viria, com Kito I - em dia não – que num cruzamento traiçoeiro, por pouco colocava o esférico no fundo das malhas de Mahomed, mas, caprichosamente o esférico passa a roçar a trave da baliza.Aos 70 minutos, novo remate, sem resultado de Kito I, numa jogada bem desenhada pela frente atacante tricolor e bastante aplaudida pelos seus aficcionados.O pouco perfume de um bom futebol estava reservado para os últimos vinte minutos do jogo, com o Maxaquene a fixar-se praticamente no meio campo contrário. Neste bom momento do jogo, faltou cabeça fria aos avançados do tricolores. Recordemos alguns desses momentos: Amílcar, aproveita da melhor maneira o adiantamento da defesa contrária, só que no momento do remate, prefere passar o esférico para o seu colega de ataque, Jordão, que já desenquadrado com a baliza, remata fraco, para uma defesa fácil do tanzaniano Mohamed, jogava-se o minuto 85. Pouco antes, havia sido Macamito a falhar a intercepção de um passe letal do trinco King. Faltaram pernas ao avançado, pois a idade começa a pesar. Já quase no fim, Kito I, cruza o esférico, com conta, peso e medida para uma óptima recepção de Matlhombe, que remata frouxo. Em resposta, o Ferroviário quase entornava o caldo, Nando faz tudo perfeito, só que o remate acaba sendo travado por Dionísio para canto. Na sequência do lance, nada de novo aconteceu, com o esférico a ser rechaçado pela defesa do Maxaquene.De frisar que o técnico do Maxaquene, o italiano Enrico Bozzano, continua a orientar os seus pupilos da bancada, esperando que seja permitido sentar-se no banco pela Liga Moçambicana de Futebol. Pelas informações que colhemos junto da direcção do Maxaquene, espera-se a qualquer momento a recepção da documentação do técnico para que possa ser entregue ao órgão que rege o Moçambola-2008. As duas equipas teimavam em não marcar, até que Justino Faduco decide pelo fim da contenda, sem que tivesse influenciado no resultado, apesar de alguns erros, próprios de um trabalho em equipe. Em alguns momentos assistiu-se a uma descoordenação com os seus auxiliares. No capítulo disciplinar, Faduco foi igual a si mesmo, exibindo os cartões amarelos quando se impunha, disciplinando desta feita os artistas. FICHA TÉCNICA Campo do MaxaqueneAssistência cerca de 2 mil espectadoresArbitragem: Juiz principal: Justino Faduco (2)1º Assistente: Henriques Langa2º Assistente: Carlos Paulino4º Árbitro: Aníbal ArmandoDisciplina: Amarelos para Campira, Narciso e Eurico (Maxaquene); Serginho (Ferroviário de Nampula)Maxaquene: Dionísio (2); Fredy (2), Campira (2) e Narciso (3); Kito II (2), King (3), Jumisse (1), Liberty (2) e Eurico (2); Kito I (2) e Macamito (2).Jogaram ainda: Amilcar (1), Matlhombe (1) e Jordão (1), para os lugares de Eurico, Jumisse e Liberty, respectivamente.Treinador: Enrico Bozzano Ferroviário de Nampula: Muhamad (2); Faife (2), Kiki (3), Jonas (2), Elídio (3), Marufo (2), Serginho (3), Hélder Pelembe (2), Elfídio (2), Limbani (2) Hélder Cuinica (2).Jogaram ainda: Mipato (1), Nando (2) e Dula (1), para os lugares de Hélder Pelembe, Limbani e Hélder Cuinica, respectivamente.Treinador: Nacir Armando

segunda-feira, 7 de julho de 2008

De chicotada em chicotada vai o Mocambola-2008

À décima jornada do Mocambola-2008, já vao em tres as chicotadas psicológicas. A primeira vítima de maus resultados foi Antero Cambaco, do Desportivo de Maputo. No seu lugar foi "recrutado" Chiquinho Conde, que em 2006, saiu pela porta pequena do seu "clube de coracao", o Maxaquene. Cabia ao "dito cujo" tirar o Desportivo da linha de água, desiderato que está a ser alcancado pelo ex-capitao dos Mambas. De frisar que Cambaco herdara um plantel depenado, depois das saídas de Dominguez, Carlitos, Josimar e Maurício. Aliás Cambaco substituiu do cargo, Uzaras Mahomed, que na altura já tinha a corda no pescoco, tendo, num acto sem paralelo no país, colocado o seu lugar a disposicao.

A segunda chicotada viria do vizinho Maxaquene, com Semedo a seguir as peugadas de Cambaco. e porque "não há dois sem tres", eis que no centro, o Textáfrica de Chimoio decide afastar Miguel Júnior, também por maus resultados. para a sua substituicao foi indigitado nada mais nada menos que Uzaras Mahomed, que semanas antes até esteve a treinar o Desportivo de Bárue. Habituado a grandes desafios, tal como ele próprio diz, terá de resgatar os fabris do planalto do fundo do poco, uma tarefa que se mostra difícil, até porque na sua estreia perdeu por duas bolas sem concorrencia ante o Ferroviário de Nampula, treinado por Nacir Armando.

Facto curioso foi o afastamento momentâneo do brasileiro da Liga Muculmana, Paulo Camargo, logo após o afastamento dos muculmanos da Taca de Mocambique pela mão da Académica de Maputo, por concludentes 2-0. Volvidas algumas horas, a direccao da Liga decidiu retratar-se reconduzindo o técnico para o seu lugar, dando assim, o dito pelo nao dito.

no capítulo dos insólitos vale a pena recordar o afastamento precoce de Carlos Prieto do comando técnico do Benfica de Macúti, na véspera do início do Mocambola. Por detrás do divórcio estiveram algumas desinteligencias com a direccao dos encarnados.

Que a FMF pague o prémio de jogo aos Mambas


Desta vez há unanimidade. Os cerca de 20 milhões de moçambicanos dizem em uníssono que fomos roubados pelo árbitro sul-africano. Não é mais uma daquelas desculpas que já nos habituamos a ouvir, muitas vezes lembrando a máxima "quando o macaco não consegue dançar diz que o chão está torto", não senhor, de facto fomos espoliados e o mundo viu.


Quando tudo indicava que sairíamos de Antananarivo com um sorriso rasgado nos lábios, eis que uma vez mais, alguns sul-africanos, mal intencionados, diga-se, tiram-nos este prazer. Ganhando o jogo do fatídico domingo, os Mambas não só relançariam as suas esperanças rumo à qualificação para o tão almejado Mundial de 2010 e para o CAN do mesmo ano em Angola, como também ajudar-nos-iam a sarar algumas feridas, embora profundas, provocadas pela onda de xenofobia perpetrada pelos sul-africanos. Não é por acaso que o futebol é o ópio do povo.


Os milhões de moçambicanos que presenciaram as imagens que chegavam pela televisão nem sequer queriam acreditar no que viam. É que o árbitro sul-africano, Abdul Basit Ebrahim, por indicação do seu auxiliar que actuava do lado direito do ataque malgaxe, decide nos apunhalar pelas costas, assinalando uma grande penalidade "fantasma", já ao cair do pano, manchando por completo a sua triste actuação. Pura roubalheira. Aqueles senhores deviam ter vergonha na cara. Com aquela postura do árbitro, ressurgiram as marcas indeléveis da xenofobia, que aliás dificilmente se apagarão. Em todas as conversas dos moçambicanos vinha à tona este aspecto.


As imagens são tão elucidativas que a FIFA nem sequer devia ter contemplações, irradiando aqueles juizes, que num ápice são capazes de deitar por água abaixo, todo um esforço de uma selecção e a esperança de todo um povo.


Mal o árbitro levou o apito à boca, dando início ao jogo, era notória a sua tendência no encontro, prejudicando claramente a nossa selecção. Não obstante este posicionamento do trio sul-africano, os nossos rapazes iam se batendo com o brio profissional que os caracteriza.


Eu, sinceramente não esperava tal postura dos juizes oriundos de um dos países economicamente estáveis de África. Esperava que a arbitragem fosse um tanto ou quanto simpática connosco, pois grande parte dos componentes da nossa selecção jogam na África do Sul, e são muito bem conhecidos do juiz sul-africano. Mas para a minha frustração e de tantos outros compatriotas, o trio sul-africano aliou-se aos ilhéus do Madagáscar, Comores e Maurícias, para nos "tramar", abrindo, novamente, as feridas dos moçambicanos vítimas dos ataques xenófobos na Terra do Rand. Aliás, um dia antes, um outro moçambicano havia sucumbido diante dos desumanos e gananciosos sul-africanos.


A África do Sul, na sua qualidade de organizadora do Mundial de Futebol de 2010, não merece ter árbitros daquela estirpe, que se deixam manipular facilmente, prejudicando os interesses de toda uma Nação. Desta vez, a verdade desportiva foi gravemente ferida.


Estas situações fazem-me duvidar do sucesso do Mundial de 2010 na África do Sul. Não há seriedade suficiente na África do Sul e os índices de criminalidade são bastante elevados. Que postura terão os adeptos sul-africanos caso sejam eliminados precocemente do Mundial, em 2010?


Por tudo o que aconteceu naquela tarde de domingo, em Antananarivo, proponho à Federação Moçambicana de Futebol a pagar o prémio de jogo aos briosos Mambas, em reconhecimento do seu esforço. Outrossim, os 600 dólares serviriam de força motivadora aos nossos rapazes para o jogo da quarta de jornada que, se diga em abono da verdade, não vai ser nada fácil. Temos que marcar golos, pois os malgaxes também têm uma palavra a dizer. Todos vimos isso no domingo passado.


No jogo de domingo seria bom para as nossas aspirações, vencer o jogo. Não entremos em euforias. Se quisermos desforrar, que seja dentro das quatro linhas, mantendo assim o espírito desportivo. O discurso da última semana não deve ser encorajado, pois todos lamentamos o que aconteceu em Antananarivo. Aquele tipo de situações não dignifica a ninguém. É verdade que os malgaxes amealharam um ponto, mas sem o devido sabor, do que quando conquistado por mérito próprio.


Termino apelando a todos, para que no domingo se desloquem à Machava, por forma a puxar pela selecção, quer nos momentos fáceis, quer nos difíceis da partida. Nada de violência, vamos bater os malgaxes em campo, sem ajuda de árbitro algum. Como precaução, que a segurança seja reforçada nesse dia para evitar dissabores.

Carta publicada no Notícias 21.06.2008

MENDES TRAMA SEMEDO


Uma vez mais, o Ferroviário da Beira veio a Maputo diante de um outro colosso do futebol doméstico, arrancar os três pontos em disputa. Desta vez a pressa foi o Maxaquene, depois de o ter feito diante do seu homónimo de Maputo, à passagem da oitava jornada. Os locomotivas do Chiveve, vem protagonizando uma recuperação a todos os capítulos extraordinário, depois de um início de prova titubeante. De recordar que a última vez que o Ferroviário da Beira perdeu foi ante o Costa do Sol, no decurso da terceira jornada. De lá a esta parte, os pupilos de Akil Marcelino vem intercalando empates e vitórias, num percurso digno de realce.


Este resultado poderá ter comprometido o futuro de Artur Semedo no comando técnico do Maxaquene. A onda de contestacão cresce a olhos vistos, desde o afastamento dos tricolores da Taca de Mocambique pelo Estrela Vermelha de Maputo, por 3-1, resultado conseguido após a marcacao de grandes penalidades. No tempo regulamentar as duas equipas empataram sem golos, com os pupilos de Semedo a se mostrarem bastante perdulários

No último sábado, o Ferroviário da Beira jogou com muita astúcia, perante um Maxaquene bastante perdulário. Akil Marcelino vinha com a lição bem estudada, entregando praticamente a iniciativa do jogo aos donos da casa, dai que durante toda a primeira parte, os tricolores foram, donos e senhores do jogo, não marcando, por um lado devido à ingenuidade dos seus avançados, que no momento da verdade, optavam por fazer o mais difícil, e por outro lado devido a boa colocação entre os postes do guarda-redes Gervásio. Eis algumas situações que nos ficaram na retina:
Jogava-se o minuto 15 da partida, Kito I solicita os atacantes Liberty e Steven, num cruzamento bem tirado. Os dois homens do ataque tricolor desentendem-se, permitindo uma defesa de recurso a Gervásio, após um cabeceamento de Steven. Volvidos quatro minutos, o mesmo Steven consegue ganhar uma bola ao adversário, cruzando-a de seguida para a cabeça de Jumisse, que com muita intensidade cabeceia o esférico para fora do “alvo”.

O Ferroviário sentia o sufoco do seu adversário e a resposta encontrada por Akil Marcelino era o contra-ataque, que não chegou a surtir efeito nenhum. Momentaneamente, o banco técnico do Ferroviário viu a sua “jóia”, Mendes, lesionar-se, após um choque com o adversário. O tratamento levaria cerca de cinco minutos, mas para a felicidade dos locomotivas, o avançado recompor-se-ia, dando de seguida o seu precioso contributo à sua equipa. Aos 39 minutos da contenda, nova investida do Maxaquene, com Liberty a proporcionar uma defesa para fotografia a Gervásio. O lance começa num livre indirecto muito bem executado por Fred. Gorava-se mais uma situação de golo dos tricolores. As duas equipas recolheriam ao intervalo, sem que o “marcador atasse nem desatasse”.

Apesar do necessário “puxão de orelhas” aos jogadores, a segunda parte começa muito morna, com as duas equipas a não quererem arriscar, preferido o empate a derrota. Jogando em casa, o público exigia um pouco mais do Maxaquene, que procurou “puxar dos seus galões” de anfitrião, porém sem surtir nenhum efeito. Este maneira de estar das equipas em campo obrigou os dois técnicos a mexer com o seus “xadrezes”, tendo Semedo tomado a iniciativa de refrescar a sua frente de ataque, trocando os avançados Liberty e Steven por Eurico e Jordão, respectivamente.

Só aos 70 minutos é que o Maxaquene volta a criar sensação de golo, através de Eurico, aproveitando-se de uma falta clamorosa do capitão Ninito, na boca da grande área de Gervásio. Valeu a pronta intervenção de um colega a fazer a emenda para canto, perante a apatia do avançado contrário. Ninito agradeceu a todos os seus deuses.

Aos 75 minutos viria mesmo o golo do Ferroviário da Beira. Campira tem uma daquelas falhas imperdoáveis, com a bola a passar-lhe por baixo do pé. Nas suas costas estava o artilheiro Mendes, que não perdoou tamanha oferta, tendo fuzilando, de seguida, Nelinho, com um portentoso remate saído do seu pé esquerdo. Nelinho, não pôde fazer nada. Com o golo cresciam as preocupações no banco técnico do Maxaquene. Se já era difícil marcar antes, com o golo do Ferroviário, ficou mais complicado. Tudo era feito com o coração que propriamente com a cabeça no lugar. Só que numa dessas ocasiões, por pouco Campira se redimia de tamanho pecado, mas o seu cabeceamento não segue o rumo certo, já dentro da grande área de Gervásio, corria o minuto 78.
Para não correr riscos, Akil abdica de um médio, Gato, e no seu lugar lança o defesa Cândido, com missões explícitas, defender o resultado com unhas e dentes.

Aos 91, o Maxaquene até podia ter chegado ao empate, que nessa altura era procurada desenfreadamente, mas eis que o central Kito eleva-se mais que os restantes colegas, cabeceando o esférico para fora. Suspiro de alívio para os locomotivas. Com esta vã tentativa, o Maxaquene resignara-se e estava ditada a sentença do jogo, por Mendes, num remate praticamente indefensável para Nelinho, abrindo um bom ciclo de resultados em Maputo, com os chamados grandes do nosso futebol. Na próxima jornada, que se cuide o Desportivo de Chiquinho Conde.

Filimão Filipe, o árbitro do jogo, não fez uma grande arbitragem, porém, não influenciou no resultado do desafio.

Ficha técnica:

Maxaquene, 0 - Ferroviário da Beira, 1
Campo do Maxaquene, cerca de 500 pessoas

Maxaquene: Nelinho (1), Campira (1), Kito II (2), Narciso (1), Fred (1), Kito I (2), Macamito (2), Jumisse (1), Michael (2), Liberty (1) e Steven (2).

Jogaram ainda Nelsinho (1), Eurico (1) e Jordão (1), para os lugares de Jumisse, Liberty e Steven, respectivamente.

Ferroviário da Beira: Gervásio (3), Ninito (2), Casimiro (2), Burra (2), Edson (2), Henriques (2), Carlos (1), Timbe (1), Óscar (1), Mendes (4) e Gato (1).

Jogaram também: Roberto e Cândido, para os lugares de Mendes e Gato, respectivamente.

Arbitragem: Filimão Filipe (2), Francisco Machel e Arsénio Marrengula. Quarto árbitro: Amosse Lázaro.

Disciplina: Amarelos para Campira (Maxaquene); Gervásio, Carlos e Gato (Ferroviário da Beira)
Cabines:

“Foi uma mentira”

- Artur Semedo

Desolado, Artur Semedo considera de injusta a derrota da sua equipa, sábado, no seu burgo. Um empate já era mau resultado, mas acabámos perdendo num lance inglório do nosso jogador (Campira), perante um adversário que em nada nos incomodou. Fizemos tudo ao longo dos noventa minutos, mas infelizmente o futebol é uma mentira. Hoje foi uma autêntica mentira e acabamos perdendo uma partida em que poderíamos ter ganho por uma diferença considerável - começou por dizer Semedo para depois “atacar” a massa associativa tricolor “ os jogadores fazem tudo para ganhar os jogos. Só queria pedir a algumas pessoas que nos deixem trabalhar. Isto já começa a ser vergonhoso. O Maxaquene, há uns anos a esta parte, já anda sempre nisto. As pessoas que libertem o Maxaquene para jogar. Deixem-nos trabalhar, os jogadores que estão aqui são todos profissionais, concluiu Semedo, visivelmente perturbado.

“Lição bem estudada”

- Akil Marcelino

Para Akil Marcelino esta é a vitória da paciência, pois tudo vinha muito bem estudado. “O Ferroviário da Beira veio com a lição bem estudada para não perder o jogo e sem três jogadores titulares, nomeadamente, Nené, Eládio e Tony, mas fizemos um jogo que nos agradou, com paciência. Em situações de contra-ataque conseguimos ganhar o jogo justamente e com um golo de belíssimo efeito, disse Marcelino.

Num outro desenvolvimento, o jovem técnico locomotiva, fala de eventuais problemas no seu novo clube: “Penso que o Ferroviário já mostrou muita qualidade fora de casa, embora tenhamos problemas nos jogos em casa. Temos conseguido fazer jogos com muita qualidade fora de casa. Sou novo no clube e não sei muito bem o que se passa, remata Akil, para depois acrescentar que “vamos trabalhar ainda mais para alcançar os objectivos que traçamos.”

SEMEDO AFASTADO DO MAXAQUENE

Terminou em “divórcio o casamento” entre o Maxaquene e Artur Semedo. O “enlace matrimonial” durava desde 7 de Julho de 2007, quando substituiu a João Figueiredo, curiosamente vítima de maus resultados. Já tinha sido exactamente assim, com Chiquinho Conde, hoje ligado ao vizinho Desportivo de Maputo. Nesse ano, Artur Semedo conduziu os tricolores até a quarta posição do Moçambola, com 41 pontos.

As duas partes chegaram a entendimento, esta segunda-feira, 30 de Junho, tendo o contrato sido rescindido “amigavelmente”.

Apontam-se como razões para o afastamento do técnico, “a falta de resultados e um ambiente que retira a tranquilidade necessária para a equipa continuar a desenvolver o seu trabalho sem constrangimentos”.

Rafindine Mahomed diz mesmo que manutenção do técnico “já se mostrava problemática”, dai a mudança. “Quando os resultados não aparecem o principal responsável é o treinador, apesar de não haver provas de que a mudança possa trazer melhorias”, vinca o presidente do Maxaquene.

Para além de Artur Semedo saem também os adjuntos Ramalho Archer, Sataca Mussagy e, em solidariedade à equipa técnica, Rogério Mariani, director executivo dos maxacas.

Artur Semedo que já foi campeão nacional pelo Ferroviário de Maputo, sempre foi contestado por parte de alguma massa associativa do Maxaquene, sobretudo por ter prescindido de jogadores como Whisky, Fanuel, Lamá e Tony. A despeito disso foi buscar alguns jogadores ligados aos locomotivas da capital do país, nomeadamente, o guarda-redes Nelinho, os defesas Tuno, Kito e Fred, para além de Ramalho Archer para seu adjunto.

Para substituir Semedo a direcção do Maxaquene decidiu indicar o italiano Enrico Bozzano, que estava ligado à equipa júnior. Bozzano já foi quadro da Federação Italiana de Futebol, tendo trabalhado com o conhecido técnico da Squadra Azzura, Arrigo Sacchi.

O novo timoneiro dos tricolores será coadjuvado nas suas funções pelos técnicos Manuel Valói, o único sobrevivente da equipa de Semedo e Arlindo Nhancale, antigo jogador do Matchedje e Estrela Vermelha, ambos da capital mocambicana. Os novos treinadores iniciam com o trabalho, esta terça-feira, visando colocar a equipa nos primeiros quatro lugares, tal como fez questão de vincar o próprio Bozzano. “Não trago nenhuma varinha mágica, mas acredito no grupo de trabalho, que vou herdar. O Maxaquene é um grande clube, sei disso porque já venho acompanhando a equipa há cerca de seis meses, quando cá cheguei”, afirmou Bozzano, visivelmente empolgado com a sua nova missão. Mais adiante, o italiano reconhece ter pela frente “uma grande equipa” mas, “os oito golos marcados são muito poucos para uma equipa desta natureza”, disse o treinador, nas suas primeiras palavras à imprensa.
A única coisa que Bozzano promete é mesmo trabalho: “semanalmente vou tirando algumas ilações e o resultado disso virá à superfície, no próximo sábado quando defrontarmos o Estrela Vermelha de Maputo. A seguir teremos pela frente uma grande equipa e que está a fazer um grande campeonato, o Ferroviário de Nampula. A única coisa que vos prometo é trabalho. Semedo deixou um grande equipa, onde primeiro terei que fazer um grande trabalho psicológico para recuperar a estima dos jogadores”- concluiu o Enrico Bozzano.

À passagem da décima jornada, já vão em duas as chicotadas psicológicas no Moçambola. Antero Cambaco do Desportivo foi o primeiro a sucumbir aos maus resultados. Artur Semedo deixa o Maxaquene na nona posição do Moçambola, com onze pontos, resultantes de duas vitórias, ante o Benfica de Macúti (3-2) e Ferroviário de Pemba (3-1), cinco empates e três derrotas, a última das quais ante o Ferroviário da Beira, no sábado, por uma bola sem resposta. O Maxaquene foi igualmente afastado da Taça de Moçambique pelo Estrela Vermelha de Maputo.

Semedo já treinou o Matchedje, o Desportivo, o Ferroviário, ambos de Maputo e ainda a selecção nacional.

Estreia auspiciosa do técnico italiano

O novo técnico do Maxaquene, o italiano Enrico Bozzano, quis dar um ar italiano ao seu novo clube. É assim que na tarde do último sábado, no Estádio 1º de Maio Standard Bank, a contar para a décima primeira jornada do Moçambola-2008, vimos um Maxaquene diferente do habitual. Logo à prior, saltavam à vista, algumas alterações no xadrez tricolor: a chamada do guarda-redes Dionísio, dos centro-campistas, Saprine e Nelsinho, “sacrificando-se” os jogadores Nelinho (guarda-redes), Michel e Steven, habituais nas equipas do antecessor de Bozzano. Para condizer com esta esta nova colocação de pedras tricolores, um esquema táctico também diferente: 4 – 2- 3 -1, com Jumisse a ponta-de-lança.

Lançados os dados, reinava a expectativa nas bancadas sobre como é que este novo Maxaquene bater-se-ia. Do outro lado estava um Estrela Vermelha faminto de resultados, daí ter investido bastante para perturbar psicologicamente os jogadores contrários.

Os primeiros quinze minutos do jogo foram de um futebol incaracterísticos, sem qualquer jogada digna de realce. Aos poucos, o Maxaquene ia assumindo a sua grandeza e responsabilidades no jogo e como corolário disso, a primeira situação de perigo acontece aos 21 minutos, através de Kito I, numa jogada algo atabalhoada, que começa com uma belíssima intenção do zimbabweano Liberty, a puxar “todo o mundo” para a área contrária, com aquelas suas fintinhas estonteantes. Valeu a pronta intervenção de Neco, que teve que se arrojar aos pés de Jumisse, antes do remate sem nexo de Kito I.

Aos 32 minutos, nova investida ofensiva do Maxaquene, desta vez tendo como protagonistas, Jumisse e Neco. O guarda-redes dos alaranjados acabou saindo-se bem na jogada, com uma defesa incompleta mal aproveitada por Campira. Tudo começa num pontapé de canto, mal interceptado por Jumisse, quando tinha tudo para “facturar”, pois a bola é metida para o primeiro poste, faltando apenas o desvio vitorioso do avançado.

O Maxaquene continuava a “espalhar o perfume” de um bom futebol, lembrando a espaços, o jogo privilegiado por Artur Semedo, com o esférico a circular rente à relva e de pé para pé, pecando apenas no capítulo de concretização. Vale a pena destacar a boa leitura feita pela defensiva do Estrela Vermelha que tinha à cabeça, o “racha-lenha” Mabjaia.

Aos 40 minutos, nova sensação de golo. Há um livre directo, a direita do ataque do Maxaquene, e para cobrá-lo é chamado o pé canhoto Fred. O lateral executa o lance com todo o esmero possível, só que a inspiração de Neco, uma vez mais volta a negar o golo, com uma “sapatada” para canto. Era sem dúvidas a defesa da tarde.

O Estrela Vermelha, como é óbvio nessas circunstâncias, apostava no contra-ataque, com o avançado Binó a ser completamente anulado pelo possante central Narciso.

A segunda parte começa algo insípida. E com o correr do tempo, o jogo ia decaindo mesmo de qualidade. Valeu o jogo do banco. A partir da bancada, Bozzano ia instruindo o seu adjunto, Arlindo Nhancale, a operar algumas alterações: entradas de Maló, Matlhombe e Eurico, para os lugares de Saprine, Nelsinho e Jumisse, respectivamente. De frisar que o novo timoneiro do Maxaquene teve que ver o jogo da bancada, pois ainda não reúne a devida documentação requerida pela Liga Moçambicana de Futebol. Espera-se que nos próximos dias a Federação Italiana de Futebol envie ao país, a respectiva documentação.
Do lado contrário Zainadine Mulungo sentia a necessidade de refrescar a sua equipa fazendo entrar os jogadores Sadique, Pondja e Animal, para os lugares de Joca, Binó e Jordão, respectivamente e o jogo voltou a ganhar alguma emotividade. Nesse lapso de tempo, Matlhombe cruza com conta, peso e medida para o coração da área alaranjada, onde aparece, sozinho, atacante Eurico. Na hora de dar o “bote” , o avançado escorrega. Jogava-se o minuto 80.

O golo do Maxaquene só seria assinado “ao cair do pano” - imagine só, minuto 90 - com o irreverente Kito I, no centro das atenções. O lance começa num contra-ataque rápido dos tricolores e o jogador, num momento verdadeiramente de inspiração, desfere um golpe forte no esférico, parando apenas no fundo das malhas de Neco, que até se esticou, só que sem sucesso. Um daqueles golos de levantar qualquer estádio de futebol! Explosão de alegria no banco tricolor, assim como na tribuna de honra, onde estava todo o staff tricolor. O Maxaquene vinga-se assim do afastamento precoce da Taça de Moçambique por esta mesma equipa que, pelo terceiro jogo consecutivo, volta a sofrer golos no último minuto da contenda. Já tinha sido assim contra o Textáfrica de Chimoio e Ferroviário de Maputo, curiosamente, através da marcação de grandes penalidades.

A actuação do árbitro José Maria Rachid não sofre qualquer tipo de mácula, não tendo, por isso contribuído no resultado final do jogo.

FICHA TÉCNICA

Estrela Vermelha: Neco (3), Alex (2), Mabjaia (2), Pedrito (1), Abel (1), Aleluia (2), Joca (2), Gitinho (2), Paunde (2), Binó (1), Jordão (1)
Jogaram ainda: Sadique (1), Pondja (1) e Animal (1), para os lugares de Joca, Binó e Jordão.

Maxaquene: Dionísio (1), Campira (3), Fred (2), Kito II (2), Narciso (2), Saprine (2), Nelsinho (2), Macamito (2), Kito I (3), Liberty (3) e Jumisse (1).

Jogaram ainda: Maló (1), Matlhombe (1) e Eurico (1), para os lugares de Saprine, Nelsinho e Jumisse, respectivamente.

Arbitragem: José Maria Rachid (2), 1 º Assistente: Joaquim Merinho, 2º assistente: Carlos Nhanengue. 4º Árbitro: Ainad Ussene

Acção disciplinar: amarelo para Narciso (Maxaquene)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Rescaldo do Moçambola -2007

Rescaldo do Campeonato Nacional de Futebol – Moçambola´2007

Da superamacia canarinha às chicotadas psicológicas

O Moçambola –2007 ficou para a história, mas pelos seus feitos ficará indelevelmente gravado na memória de muitos desportistas, com particular incidência para os treinadores, considerados os “maus da fita”. Continuam ainda na retina de todos, aquelas chicotadas psicológicas massivas. Até a oitava jornada oito treinadores já tinham sido despedidos, alegadamente por maus resultados. Estes números sem paralelo cá entre nós, segundo a crítica desportiva, revelam a pobreza do futebol moçambicano e indiciam que alguma coisa não corre bem no dirigismo desportivo.

Ainda na retrospectiva do Moçambola-2007, destaque vai o Costa do Sol, Campeão Nacional com todo o mérito e para o Ferroviário de Maputo, catalogado como o campeão dos empates, ao consentir no total dezasseis. Como resultado da desastrosa prestação dos locomotivas está o sétimo lugar na pauta classificativa, o pior dosa últimos anos para o conjunto verde e branco, que a quatro jornadas do fim da prova continuava em apuros. Por outro lado, o Têxtil de Púngue, representante do país na Taça da Confederação acabou desiludindo a tudo e todos ao não conseguir a manutenção na prova máxima do futebol nacional. Primeiro deixou partir algumas das suas melhores “pérolas”, casos de Matofe, Mafafa, Missica entre outros, para mais tarde, volvidas duas jornadas, mandar para o desemprego o seu treinador, Afonso Sithole.

Justo campeão

O Costa do Sol foi, incontestavelmente, a melhor equipa do Moçambola-2007. Os números são elucidativos: em 26 jornadas venceu por 16 ocasiões, empatou nove vezes, cinco dos quais já na recta final do certame e perdeu uma única vez, derrota consentida justamente ante o detentor da coroa de Campeão Nacional, o Desportivo de Maputo, por 0-2, no seu próprio burgo, a 1 de Julho, refreando os ânimos de uma equipa até então incólume no certame. No total os canarinhos marcaram 37 golos e sofreram 12, tornando-se na defesa mais bem comportada da prova. O Costa do Sol totalizou 57 pontos, deixando o vice-campeão Desportivo a nove de distância. Os canarinhos viram ainda ainda viu o seu atacante Tó sagrar-se no melhor marcador da prova ao apontar 16 golos. Aliás o “baixinho” viria a arrecadar um outro troféu, o de melhor jogador da Taça de Moçambique Mcel, conquista que lhe valeu uma viatura zero quilómetros.

A progressão canarinha é digna de realce. Os campeões nacionais “assaltaram” a liderança do Moçambola logo na sexta jornada, destronando o Estrela Vermelha que vinha realizando uma prova a todos os capítulos extraordinária. Verdade porém é que de lá até ao fim do certame os canarinhos não mais largaram a liderança. O melhor ascendente no voo do canário registou-se da décima jornada à décima oitava, quando somou vitórias consecutivas, cimentando o estatuto de líder e de sério candidato à conquista final. O período menos bom, motivado pela ansiedade, pois a qualquer momento podia se sagrar campeão nacional, registou-se da vigésima primeira à vigésima quarta jornada, com uma série consecutiva de empates. O resultado mais gordo conseguido pelo campeão registou-se à passagem da décima quarta jornada quando derrotou o Têxtil de Púnguè por 5-1.

A falta que Dominguez fez

Sem Dominguez e Carlitos desde a décima segunda jornada, o Desportivo não mais foi o mesmo, começou a baixar de rendimento e aí veio a crise de resultados que culminou com o afastamento de Uzaras Mahomed. No seu lugar foi chamado o jovem Antero Cambaco. É verdade que o Desportivo andou sempre na segunda posição, mas momentos houve em que teve mesmo que trocar de posição com o Ferroviário de Nampula, da 17 jornada à 19. Ainda no fim, quando se pensava que o Desportivo fosse fazer frente ao Costa do Sol, acabou mesmo vergando, quando em três ocassiões consentiu empates comprometedores, dando mais terreno ao seu mais directo rival, o Costa do Sol. Não obstante o estatuto de melhor ataque, 41 golos marcados, tendo à cabeça Maurício, os alvi-negros acabaram se quedando no segundo posto com 48 pontos.

Os ventos do norte

No norte do país duas equipas faziam furor, o Ferroviário de Nampula e o FC de Lichinga. Os locomotivas da chamada capital do norte terminaram a prova em terceiro lugar com 43 pontos e os pupilos de Sérgio Faife, na quinta, com 38 pontos.
Em Nampula Nacir Armando conseguir montar uma teia em que os grandes dificilmente saiam. No seu burgo só perdeu com o Costa do Sol, por 2-0 e chegou mesmo a bater o Maxaquene pelos mesmos números. Das cinco derrotas consentidas a mais dolorosa foi face ao Desportivo de Maputo por 4-0, à passagem da vigésima primeira jornada, a 13 de Outubro de 2007, no campo do Atlético Muçulmano. A menos esperada aconteceu frente ao já aflito Têxtil de Púnguè, por 1-0, em plena vigésima quarta jornada, o que contribuiu para perda definitiva do segundo posto a favor do Desportivo de Maputo. Este foi o período mais conturbado dos rapazes orientados por Nacir Armando.

O Estádio 1 de Maio era o outro “calvário” dos grandes. Esta formação começou por atravessar um período menos bom, o que terá contribuído para o afastamento do técnico zambiano, Ronald Chenko, quando corria a oitava jornada da prova. Duas derrotas consecutivas ante o Ferroviário de Nampula (2-0) e Estrela Vermelha (2-0), depois de uma série de empates precipataram o desenlance entre as partes. Aproveitando um interregno observado na altura, a Direcção do FC Lichinga contratou dois homens carismáticos: Sérgio Faife e Euroflin da Graça para resgatar a imagem do gigante do Niassa. A resposta não tardou a aparecer, Faife, assessorado por Flin, foi construindo uma equipa temível, acabando mesmo por garantir a manutenção sem sobressaltos. A “descolagem” da equipa começou na nona jornada com uma vitória frente aos “fabris da Manga” por 1-0. O “voo” dos homens de Lichinga só foi interrompido na vigésima primeira jornada por uma série de um empate e duas derrotas consecutivas. Dos 295 golos marcados em toda a prova, o FC de Lichinga contribuiu com 26, tendo sofrido 25.

Exorcizar fantasmas só no fim

O Ferroviário de Maputo só consguiu espantar o fantasma dos maus resultados no fim do Moçambola-2007 e contra todas as previsões chegou a golear o Desportivo de Maputo por 5-2, na derradeira ronda do certame. As últimas jornadas foram frutíferas para a equipa de Mussá Osman, que antes desse período de graça tinha as calças na mão, sob o risco de ser despromovido. Para provar a excelente ponta final, ganhou as últimas quatro partidas.

Artur Semedo foi à rua devido a uma série de empates, situação que veio a prevalecer na era do seu sucessor. No total os locomotivas somaram 16 empates. Com algumas das suas cartas fora do baralho, casos de Kito, Rodrigo e Simão, que se transferiu para a Grécia, o Ferroviário de Maputo vivia da generosidade de Danito Parruque, um dos poucos que remava contra a maré. O ataque locomotiva, muitas vezes órfão de Chana, mostrava-se bastante perdulário. Foi das equipas que menos golos marcou, apenas vinte, numa prova de vinte e seis jornadas.

A “Guerra” no meio da tabela

No meio da pauta classificativa degladeavam-se equipas como o Maxaquene, Estrela Vermelha, FC de Lichinga e Ferroviário da Beira. Destes, o Estrela Vermelha mereceu grande destaque quando nas primeiras jornadas conseguiu manter-se no topo. Garantida a manutenção os alaranjados limitaram-se a fazer “o seu campeonato”. Do Maxaquene pouco ou nada se pode dizer, pois muito cedo virou a cara à luta, renunciando o seu estatuto de tradicional candidato ao título. Foi das equipas que trocou de treinador, João Figueiredo teve que ceder a sua vaga a Artur Semedo, que apenas conseguiu colocar a equipa no modesto quarto lugar, separando-se do campeão por dezasseis pontos.
Por seu turno o Ferroviário da Beira, à semelhança das equipas do “Chiveve” passou por maus momentos. Figurava entre as equipas aflitas do campeonato e a sua manutenção só foi garantida quase ao “cair do pano”.

Parentes pobres

Devido a sua pálida prestação no Moçambola tiveram que trocar de divisão, o Benfica de Quelimane, Têxtil de Púngue e Académica. Os fabris da Manga são os que mais desiludiram ao não conseguirem dar sequência a uma excelente época anterior. De representante de Moçambique nas Afrotaças, o Têxtil passou a uma equipa vulgar, ao perder muitos dos seus melhores jogadores. Foi a primeira formação a afastar o seu treinador, Afonso Sithole, logo na segunda jornada. Apesar do seu fraco desempenho os fabris viram dois dos seus jogadores se destacarem: Soarito, o jogador mais valioso da prova e Nando, terceiro classificado.
O Benfica de Quelimane era simplesmente “o bombo da festa”. Apesar de ter trocado de treinador por duas vezes – primeiro José ugusto e depois Rogério Marianni, os encarnados não fugiram da última posição.